Revisitando: a rede aérea brasileira, antes e depois  

2026-05-27 · 2 min de leitura

Em agosto de 2021 publiquei Brazilian Airline Network Evaluation - uma análise curta usando os dados abertos da ANAC, comparando o grafo aéreo doméstico brasileiro em 2019 (pré-pandemia) e 2020 (primeiro ano de pandemia). Calculei centralidade de intermediação e de proximidade pros dois anos e o achado foi que 2020 não foi tanto uma contração quanto uma concentração: as rotas se afunilaram em um número menor de hubs enquanto aeroportos secundários perderam suas conexões periféricas.

Esse achado era real. O post que o continha era incompleto de um jeito que quero sinalizar agora.

O que o snapshot de 2 anos perdeu

Comparar 2019 a 2020 te dá uma foto de "antes vs colapso". Não te dá a parte que se mostrou mais interessante: a recuperação. O portal de dados abertos da ANAC ainda publica os mesmos dados mensais de voo, e a série hoje vai de 2019 até 2025. São seis anos - baseline pré-pandemia, colapso de 2020, recuperação parcial em 2021-2022, retorno à capacidade programada em 2023, novo normal em 2024-2025.

O novo normal não bate com o baseline antigo. Pelo que vi nos dados:

  • A concentração em hubs que 2020 forçou não foi desfeita. Aeroportos secundários nunca recuperaram totalmente sua participação pré-2019 nas rotas; a rede é estruturalmente mais hub-and-spoke do que era.
  • Várias rotas de baixo volume que pausaram em 2020 nunca voltaram. Pares de cidade que tinham vários voos diários em 2019 hoje têm zero ou um.
  • A importância relativa de São Paulo como hub de conexão subiu e ficou alta.

Isso não é mais uma história de pandemia. É uma história de consolidação da indústria, que a pandemia só acelerou.

A forma da lição

O post original do Medium serve bem como snapshot de 2021. O erro foi tratar ele como resposta final. Antes/depois de dois anos serve pra um trabalho de faculdade; pra uma afirmação real sobre aviação brasileira, a série completa importa e o snapshot sempre ia ser enganoso. Essa é a lição que tirei relendo cinco anos depois - não a análise em si, o enquadramento.